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Sexta-feira, Fevereiro 24, 2006

Pudores
Difícil de suportar certas atitudes e comportamentos que não são nada demais, que são totalmente aceitos pelas convenções sociais, mas que, pelas diferenças nas condições sociais desse país, chegam a soar como uma ofensa, como um acinte.

Pessoas finas, educadas, falando idiomas exóticos para ouvidos simples, praticam prazeres não menos exóticos enquanto pobres não possuem o mínimo que lhes assegure a sobrevivência. Essas pessoas finas, educadas, estão "convenientemente" afastadas desses outros seres, desse outro mundo feio por condominios fechados, cercas, seguranças pessoais, carros blindados.

Eu vivo e convivo todos os dias com a união desses mundos, não tenho esses mecanismos sofisticados que os ricos possuem para separar "gentinha" da "gente de bem". Assim, o indigente, a mulher com o filho, a criança, o doente, diariamente, batem no meu portão atrás de um "trocadinho", ou de "alguma coisa pra comer" e, muitas vezes, eu não tenho o "trocadinho" ou "alguma coisa pra comer", que possa ceder, porque eu também vivo no limiar desses dois mundos.

Para essa gente fina existem religiões que confortam, existem fundações que, sob o pretexto de ajudar, são alçapões por onde escapa o dinheiro dos tributos devidos, existem leis de incentivo à cultura que financiam espetáculos de gente fina, dinheiro do povo financiando a diversão dos ricos. Existem filosofias, religiões e ensinamentos, para apaziguar mentes e consciências.

Existe caridade para aparecer nas colunas sociais, grande festas benemerentes, os grandes bailes, tudo muito bonito, muito civilizado. Enquanto isso continuam a sonegar o imposto do pobre, o dinheiro que daria uma chance as segregados, aos mutilados, aos desesperados, as desassistidos.

Vivemos numa bela sociedade, vinhos caros indicados por sommeliers, petiscos raros preparados por competentes gourmets, roupas de grifes famosas feitas por estilistas não menos, carros importados, um mundo de sonho e sem pudores...

Contado por 100 | 7:33 AM | Agora conte a sua história:


Domingo, Fevereiro 19, 2006

Se foi o horário de verão
É bom que se diga que para mim nem chegou, pois eu não dou a mínima para esse tal de horário de verão. Sei que isso é coisa de quem pode, coisa de quem não trabalha vinculado a horários. Hoje sou um cara totalmente livre dos relógios, hora pra mim é só uma convenção. Eu me guio pela luz do sol, sei quando é dia, quando é noite, e pra mim já chega.

Tem um turma que diz gostar mais desse horário de verão, porque os dias ficam mais longos; tem a turma dos notívagos, que dizem não gostar, porque preferem curtir o período da noite. Agora, tanto para uns, quanto para outros, tudo voltou ao normal, vale o horário solar, acabou a mágica.

Contado por 100 | 9:32 PM | Agora conte a sua história:


Terça-feira, Fevereiro 14, 2006

Divergências
Os presidentes da cãmara e do senado divergem sobre os resultados da convocação extraordinária das respectivas casas legislativas durante o período de recesso. Enquanto o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, entende que a convocação extradordinária foi proveitosa, o presidente do Senado, Renan Calheiros, não concorda com isso.

Talvez deva se analisar a convocação em termos de recusos empregados/resultados colhidos, que é o julgamento da eficiência e, sob este prisma, a convocação ficou muito longe de se justificar. Com várias sessões sem a presença mínima de parlamentares, faltando o quorum para as votações, o que se viu foi o plenário constantemente vazio.

Numa ironia, o fato mais relevante de todo este período da atual convocação extraordinária do Congresso Nacional, seja a decisão da redução do período de recesso de 90 para 55 dias - evitando as convocações extraordinárias - e o corte dos futuros pagamentos nos períodos de convocações extraordinárias.

Contado por 100 | 2:08 PM | Agora conte a sua história:


Terça-feira, Fevereiro 07, 2006

Enquanto as pessoas falam em amor...
As pessoas falando em amor enquantos os restos dos corpos mutilados, vítimas do último atentado terrorista, vão sendo recolhidos pelos funcionários dos órgãos de segurança. As pessoas falando em amor enquanto grupos bradam, gritam, e em coro entoam palavras de ordem clamando por vingança, olhos esbugalhados, nos rostos, o esgar, nas mãos, as armas, nos corações, o ódio. As pessoas falando em amor enquanto a televisão mostra cenas de edifícios sendo depredados e incendiados em nome desse amor. As pessoas falando em amor, as pessoas dizendo que só pregam o amor, as pessoas dizendo que só praticam o amor, as pessoas dizendo que amam, as pessoas tentanto nos fazer crer que isso é amor, as pessoas, as pessoas... ah! essas amáveis pessoas...

Contado por 100 | 9:19 AM | Agora conte a sua história:


Sexta-feira, Fevereiro 03, 2006

100%! Nada de se queixar de nada. Quem nasceu num "país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza", pode aturar algumas "nabas" como essas que nós temos na política, por que não? Afinal de contas, também não há nenhuma novidade no cenário, continua tudo como sempre, os caras sobem se "locupletam" com a "burra da viúva", e a gente vai trabalhando e pagando a conta aqui embaixo.

Amanhã virão outros que farão a mesma coisa. Nada vai mudar. Nem é uma questão de políticos, é uma questão de princípios de um povo; ou melhor, da falta desses princípios. Agora mesmo, aqui no sul, estava estourando um escândalo de diárias frias concedidas a vereadores de inúmeros municípios. Imaginem o tamanho da roubalheira se considerarmos que temos mais de 5000 municípios em todo o Brasil. Essa gente rouba como gente grande.

Sempre se dizia "Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil.", nem uma coisa, nem a outra, continuamos com as saúvas e continuamos com o Brasil. Com os políticos e o roubo teremos eternamente a mesma coisa. Vamos continuar com os políticos e vamos continuar com a roubalheira, são coisas indissociáveis, roubo e política, um não convive sem o outro (infelizmente).

Contado por 100 | 12:22 AM | Agora conte a sua história:
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